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Descobrir o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra

Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra

O Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra é um dos mais importantes monumentos da cidade. Foi fundado no século XII, por vários religiosos que adotaram a regra da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1907 é classificado como Monumento Nacional.

Curiosidades sobre Coimbra

Onde se localiza e outras informações

O Mosteiro de Santa Cruz localiza-se na Praça 8 de Maio, na Baixa de Coimbra, no exterior das muralhas que outrora protegiam a cidade. Apesar de não circularem carros junto ao mosteiro existem estacionamentos pagos bem próximos.

Para visitar o local basta deslocar-se até à Igreja de Santa Cruz, cuja entrada é gratuita e dirigir-se junto à Sacristia onde poderá adquirir o seu bilhete para visitar os restantes espaços. O bilhete custa 3 euros e crianças até aos 8 anos não pagam.

História do Mosteiro

O Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra foi fundado em 1131, tendo como principal benfeitor o Primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. Algo que se manteve com o seu filho, o Rei Dom Sancho I e que acabou por tornar este mosteiro a mais importante casa monástica do reino, durante a Primeira Dinastia.

Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
Fachada da Igreja de Santa Cruz

Em 1132 o mosteiro começa a ser habitado por 72 monges, sob a regência do Prior Dom Teotónio, mesmo sem o mosteiro estar completamente acabado.

Os primeiros estudos medievais em Portugal surgiram aqui e acabaram por fortalecer o poder real emergente com acções educativas, muito em parte devido à vasta biblioteca que ali existia. E foi o local onde uma das mais importantes figuras do século XII e XIII estudou, o famoso Santo António. Aqui, este aprofundou os seus conhecimentos teológicos assim como das Sagradas Escrituras, presentes nos seus famosos sermões. Mas não só Santo António estudou aqui, vários foram os intelectuais e pessoas ligadas ao poder político vieram para Coimbra para frequentar esta famosa escola medieval.

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Posteriormente, já com a sua reputação de centro cultural e intelectual do reino firmado é fundado o Collegium Sapientiae. Este foi um importante centro académico ligado à Universidade de Coimbra, que surge no século XVI, após a constituição da Congregração de Santa Cruz. Esta Congregação surgiu da associação de outros mosteiros de cónegos portugueses com o mosteiro de Santa Cruz.

Contudo, no final de 1810, foram suspensas todas as acções do Mosteiro e do Collegium Sapientiae que exigiam instrução.

Mosteiro de Santa Cruz

O Mosteiro de Santa Cruz inicia-se em 1131 mas apenas ficou concluído no ano de 1228 e manteve-se em contantes alterações ao longo dos séculos. A principal reforma, denominada reforma manuelina, ocorreu já no século XVI, sob o comando do Rei Dom Manuel. Após ter passado por Coimbra, quando fazia o percurso para Santiago de Compostela, este decidiu reformar, reconstruir e redecorar o mosteiro e a sua igreja. Ou seja, a igreja e o claustro românico foram então demolidos e iniciou-se a reconstrução dos mesmos com um estilo gótico-manuelino. Ao mesmo tempo mandou construir novos túmulos para Dom Afonso Henriques e para o seu filho, localizados na capela-mor.

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As intervenções prolongaram-se pelo reinado de Dom João III, que decide aumentar o local com a implementação de dois novos claustros, novos dormitórios, biblioteca e um refeitório. Ocorria assim a reforma joanina. Estes aumentos acabaram por tornar o Mosteiro de Santa Cruz o primeiro mosteiro renascentista português.

Claustro da Manga
Claustro da Manga do Mosteiro de Santa Cruz, mandado construir por D. João III

Quando, em 1834, as ordens religiosas são extintas, o Mosteiro de Santa Cruz acaba por perder parte do seu património arquitetónico. Como por exemplo, o edifício da antiga enfermaria, o seu refeitório, o Claustro da Portaria, entre outros.

Sacristia

A Sacristia do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra é uma obra do arquitecto lisboeta, Pedro Tinoco. Construída em 1622 surge da transição entre o Maneirismo e o Barroco, resultando numa magnífica sala. Esta é adornada por uma abóbada e azulejos seiscentistas, a imitar uma tepeçaria persa. E nela são possíveis ver várias obras de arte importantes. Como por exemplo, o Pentecostes, de Grão Vasco, o Ecce Homo e o Calvário, de Cristóvão de Figueiredo e ainda a grande tela do Descimento da Cruz, de André Gonçalves. Numa das paredes da Sacristia temos o belo arcaz (móvel grande com gavetões) de Samuel Tibau.

Sacristia
Sacristia

Capela do Tesouro – Arte Sacra

Na Capela do Tesouro encontrará algumas das peças mais valiosas que em tempos fizeram parte do tesouro do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Nomeadamente, a Casula dos Mártires de Marrocos (vestimenta litúrgica sem mangas e golas), várias paramentas (vestes dos sacerdotes) assim como uma Custódia de Prata do século XVIII.

Mas também encontrará um relicário em prata com o crânio de São Teotónio, que foi o Primeiro Santo de Portugal além de dois bustos-relicários em prata, do século XVII, com as relíquias dos Cinco Mártires de Marrocos.

Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
Relicário em Prata de São Teotónio e outros itens de arte sacra

Sala do Capítulo

A Sala do Capítulo era o local onde os frades, residentes no Mosteiro se reuniam para decidir questões importantes do seu dia-a-dia. É uma sala simples e ampla, com uma abóbada do século XVI e onde é possível encontrar uma pequena capela dedicada a São Teotónio, bem mais adornada. Esta capela de estilo renascentista da autoria do mestre Tomé Velho, foi o local escolhido para receber o túmulo do Primeiro Prior do Mosteiro, São Teotónio, em 1162. No local é possível ver 5 telas que retratam cenas reais da vida do Prior, como por exemplo, a cura de Dom Afonso Henriques e a de Dona Mafalda.

Mosteiro de Santa Cruz
Capela da Sala do Capítulo

Claustro do Silêncio

Os Claustro do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra são um dos claustros mais famosos de Portugal. O Claustro do Silêncio foi projectado por Marcos Pires, em estilo manuelino, e é composto por várias abóbodas com elementos naturalistas, patentes igualmente nos arcos e na Fonte de Paio Guterres. Esta fonte terá servido em tempos como lavabo dos frades, pois estava próximo ao refeitório onde faziam as suas refeições. Ao longo do claustro vamos encontrando várias capelas e no centro do relvado um chafariz com duas taças sobrepostas e sobre as quais é possível ver o Anjo Custódio segurando o Escudo Nacional. É ainda possível ver vários painéis de baixo relevo, de Nicolau Chanterene.

Claustros
Claustro do Silêncio

Santuário

O Santuário é uma belíssima capela com forma elíptica que terá sido construída para ser um grande relicário, ou seja, para abrigar as relíquias da Comunidade. Ao visitar o Santuário perceberá que este é composto por doze pirâmides, três retábulos e oito painéis com uma moldura de talha. Por outro lado é possível ainda ver vários bustos relicários em madeira, que representam vários Santos, Bispos, Papas e Apóstolos. De notar que a iluminação da Capela é feita essencialmente por luz natural, que entra através das suas janelas.

Mosteiro de Santa Cruz
Santuário

Cadeiral

O Cadeiral é de autoria do Mestre Francisco Lorete, onde é possível ver representado a narrativa da epopeia marítima, através dos seus símbolos mais importantes. Ou seja, é possível ver a esfera armilar nas velas das caravelas e ainda os escudos e brasões portugueses. Por outro lado, existem algumas esculturas de baixo-relevo que narram episódios relacionados com as Descobertas de Portugal.

Sala do Cadeiral
Sala do Cadeiral

Capela Mor – Túmulos

Em 2003 é reconhecido ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra o estatuto de Panteão Nacional, pois no seu interior jazem os corpos dos dois primeiros Reis de Portugal. Dom Afonso Henrique e o seu filho Dom Sancho I estão aqui sepultados, em belos túmulos góticos com elementos renascentistas e manuelinos.

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Inicialmente estavam à entrada da igreja e em sarcófagos primitivos, mas Dom Manuel não achou nem o local, nem os túmulos dignos de dois reis de Portugal e ordenou a realização de novos túmulos e a recolocação destes num local com maior destaque. Os magníficos túmulos ficaram a cargo do escultor francês Nicolau Chanterene e do arquitecto castelhano Diogo Castilho.

Túmulo de D. Afonso Henriques
Túmulo de D. Afonso Henriques

Como é fácil perceber o Mosteiro de Santa Cruz teve um papel fundamental na evolução urbana da cidade de Coimbra, sendo um monumento que atrai inúmeros visitantes.

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