Hoje é dia de mais um artigo do GuestPost, algo que já não fazemos há algum tempo. Desta vez o artigo fica a cargo do Gustavo Soares, administrador do blog Destino a Bordo. Neste artigo, ele fala-nos um pouco de algumas da cidades histórica de Minas Gerais, que todo o viajante precisa conhecer. Espero que gostem (o artigo encontra-se escrito em português do Brasil).
Minas Gerais carrega no nome uma promessa: há riqueza aqui. E não falamos apenas do ouro e dos diamantes que um dia moveram o Brasil colonial, falamos de uma riqueza que permanece intacta em cada rua de pedra, cada fachada azul-e-branca, cada sino que ecoa no fim de tarde. O estado é, sem exagero, um dos destinos mais fascinantes da América do Sul para quem viaja em busca de história, cultura e identidade.
Com mais de 30 cidades tombadas pelo patrimônio histórico, Minas Gerais não falta em opções. Mas algumas delas têm um peso especial, são lugares onde o tempo parece ter desacelerado de propósito, como se soubessem que valiam ser preservados. Arquitetura barroca, museus de primeira, gastronomia que aquece a alma e uma hospitalidade que ficou famosa no país inteiro. É esse conjunto que torna as cidades históricas mineiras tão irresistíveis.
Neste artigo, reunimos oito destinos que representam o melhor dessa herança. Seja você um viajante de primeira viagem em Minas ou alguém que já conhece o estado e quer se aprofundar, este roteiro vai te dar muito onde escolher.
Conteúdo do artigo
1. Ouro Preto
Se existe uma cidade que sintetiza o Barroco brasileiro em toda a sua grandeza, essa cidade é Ouro Preto. Antiga Vila Rica, ela foi o coração do Brasil colonial durante o ciclo do ouro e hoje é Patrimônio Mundial da UNESCO, título mais do que merecido.
Caminhar pelas suas ruas íngremes é quase uma viagem no tempo. As igrejas se acumulam em cada esquina: são 13 no total, cada uma com seu altar dourado, seus azulejos e suas histórias. A Igreja de São Francisco de Assis, com esculturas de Aleijadinho, é considerada uma das obras mais importantes da arte colonial americana. O Museu da Inconfidência, instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, é parada obrigatória para entender o levante que tentou libertar o Brasil de Portugal.
Além da história, a cidade tem uma energia jovem e vibrante, alimentada pela universidade federal e pelos estudantes que circulam entre os bares e restaurantes do centro. Para montar um roteiro bem aproveitado, vale consultar um guia completo sobre o que fazer em Ouro Preto , há muito mais do que o visitante imagina à primeira vista.
2. Mariana
A menos de 12 quilômetros de Ouro Preto, Mariana costuma ser tratada como coadjuvante, o que é uma injustiça enorme. Ela foi a primeira cidade de Minas Gerais e a primeira sede episcopal do Brasil, e guarda uma arquitetura colonial tão bem preservada quanto a da vizinha famosa.
O Largo do Rosário e a Praça Gomes Freire formam um dos conjuntos arquitetônicos mais harmoniosos do estado. A Catedral Basílica da Sé, com seu famoso órgão Arp Schnitger do século XVIII, trazido de Amsterdã, oferece concertos gratuitos aos fins de semana que valem a viagem por si só. O Museu Arquidiocesano reúne uma coleção impressionante de arte sacra, incluindo obras atribuídas ao próprio Aleijadinho.
Para quem gosta de garimpar, o centro de Mariana tem lojas com pedras semipreciosas e artesanato local. E para os apreciadores de turismo de experiência, a antiga Mina da Passagem, a maior mina de ouro aberta à visitação no mundo, fica a poucos minutos da cidade.
3. São João del-Rei

São João del-Rei tem algo que poucas cidades do Brasil conseguem oferecer: o som de um trem a vapor cortando a paisagem colonial. A Maria Fumaça, que liga a cidade a Tiradentes desde 1881, é um símbolo vivo de uma época em que o progresso chegava sobre trilhos.
A cidade é maior e mais movimentada do que as outras histórias do circuito das pedras, mas não perde em charme. O centro histórico reúne igrejas barrocas imponentes, pontes de pedra sobre o Córrego do Lenheiro e casarões que abrigam hoje museus, pousadas e restaurantes. A Igreja de São Francisco de Assis e a Igreja Nossa Senhora do Carmo são as mais visitadas, ambas com fachadas que impressionam pela elegância.
São João também é referência em artesanato em estanho, produto que virou símbolo da cidade e pode ser encontrado em dezenas de ateliês e lojas. Se você pretende explorar o circuito histórico mineiro, ela é um ponto estratégico de base.
4. Tiradentes

Com menos de 8 mil habitantes, Tiradentes parece pequena demais para tudo o que oferece. Mas é exatamente esse contraste que encanta: em poucos quarteirões a pé, você encontra gastronomia premiada, pousadas de alto padrão, galerias de arte, igrejas barrocas e um charme de interior que nenhuma cidade grande consegue imitar.
O nome é uma homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, que nasceu na região. A Igreja Matriz de Santo Antônio, no alto de uma colina, domina a paisagem e abriga um dos maiores acervos de ouro em arte sacra do Brasil. As ruas de pedra-ferro levam o visitante por uma sequência de casarões coloridos que parecem cenário de filme e de fato já serviram de locação para diversas produções.
Para quem quer se planejar, existe um guia completo sobre o que fazer em Tiradentes MG, com dicas de hospedagem, roteiro e os melhores pratos da culinária mineira que a cidade tem a oferecer.
5. Congonhas
Congonhas não é um destino de praia ou de natureza exuberante, é um destino de arte. E que arte. O Santuário do Bom Jesus de Matozinhos abriga os 12 Profetas esculpidos por Aleijadinho no adro da basílica, considerados a obra-prima do Barroco nas Américas e reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
O que impressiona não é só a qualidade técnica das esculturas, é a expressividade. Cada profeta tem uma postura, um rosto, uma emoção. Aleijadinho os esculpiu já com a doença que comprometia seus movimentos, e há quem diga que essa limitação só aprofundou a intensidade das obras. Dentro do santuário, as capelas dos Passos da Paixão completam o conjunto com grupos escultóricos igualmente poderosos.
A cidade em si é modesta, mas o santuário justifica qualquer desvio de rota. É um daqueles lugares que ficam na memória não só pelos olhos, mas pelo que fazem sentir.
6. Diamantina
No norte de Minas, longe dos circuitos mais turísticos, Diamantina guarda uma das histórias mais fascinantes do Brasil colonial: a corrida pelos diamantes que transformou um arraial remoto em uma das cidades mais ricas do império. Hoje é Patrimônio Mundial da UNESCO e um destino ainda subestimado pelos viajantes.
O centro histórico é compacto e caminhável, com sobrados coloridos, balcões rendados e igrejas que misturam influências barrocas e rococó. A Casa da Glória, com sua passarela aérea conectando dois sobrados, é um dos cartões-postais mais originais de Minas. O Mercado Velho, hoje transformado em centro cultural, e a casa onde nasceu Juscelino Kubitschek são paradas obrigatórias.
Diamantina também tem uma vida cultural intensa, com o tradicional Vesperata, serenatas tocadas das sacadas dos sobrados históricos que acontecem regularmente e atraem visitantes de todo o Brasil.
7. São Thomé das Letras
São Thomé das Letras é diferente de todas as outras cidades desta lista, e é exatamente por isso que merece estar aqui. Localizada no Sul de Minas, a mais de 1.400 metros de altitude, ela combina história, natureza e uma aura mística que atrai desde mochileiros até pesquisadores do inexplicável.
As construções da cidade são feitas de quartzito, a pedra cinza-esverdeada extraída localmente, o que dá às ruas e casas uma aparência única no Brasil. Cachoeiras, grutas e mirantes cercam a cidade por todos os lados, a Cachoeira do Flamengo e a Gruta do Carimbado são as mais visitadas. A Prainha, com sua piscina natural em pedra, é perfeita para os dias mais quentes.
Há também as lendas: pirâmides subterrâneas, avistamentos de OVNIs e energias especiais são parte do folclore local e atraem um público curioso que convive com naturalidade ao lado dos moradores de sempre.
8. Brumadinho

Brumadinho entrou no radar internacional por razões trágicas, mas tem se reconstituído como destino cultural de grande relevância. O Instituto Inhotim, localizado no município, é o maior museu de arte contemporânea a céu aberto do mundo, e por si só justifica qualquer visita.
Com mais de 140 obras permanentes de artistas como Cildo Meireles, Adriana Varejão e Tunga, espalhadas por um jardim botânico de mais de 100 hectares, o Inhotim é uma experiência que mistura arte, natureza e arquitetura de forma como você raramente verá em outro lugar no planeta. Leve conforto nos pés e tempo suficiente: um dia inteiro mal é suficiente para percorrer tudo.
Além do Inhotim, Brumadinho tem cachoeiras, trilhas e uma gastronomia mineira que não decepciona. É um destino que une o contemporâneo ao interior tradicional com uma elegância natural.
Vale a pena conhecer Minas Gerais?
A resposta é simples: sim, e mais de uma vez. As oito cidades desta lista são apenas uma amostra do que o estado oferece, cada uma com personalidade própria, cada uma capaz de surpreender viajantes experientes.
O ideal é combinar destinos em um roteiro de uma semana ou mais. Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e São João del-Rei ficam próximas o suficiente para serem exploradas em conjunto. Diamantina merece uma viagem exclusiva. Brumadinho pode ser combinada com Belo Horizonte. E São Thomé das Letras encaixa bem em um roteiro pelo Sul de Minas.
Independentemente de como você organizar sua viagem, Minas Gerais vai te receber com café coado na hora, pão de queijo saindo do forno e aquela sensação de que você chegou a um lugar que vale ser conhecido devagar. Planeje com calma, deixe margem para o imprevisto e aproveite, esse é o jeito certo de viajar pelo coração histórico do Brasil.
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