A Catedral de Ávila, também conhecida como Catedral de Santa Maria, é a principal atração da cidade. Famosa pelo seu aspeto imponente de fortaleza, esta foi a primeira catedral gótica a ser construída em Espanha. No local, além do templo religioso poderá ainda visitar o Museu de Arte Sacra.
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História da Catedral de Ávila
A construção da Catedral de Ávila remonta ao século XII, com o início da sede episcopal de Ávila. A mesma demorou cerca de 300 anos a ficar concluída. O projeto inicial é atribuído ao Mestre Fruchel, que lhe deu um carácter marcante de fortaleza. Mas após a morte deste, os planos inicias foram alterados e foi então projetado um complexo em estilo românico e gótico francês, o primeiro do género em Espanha. O resultado final é um templo de cruz latina, com três naves, cerca de 85 metros de comprimento e 42,5 metros de largura.

A Catedral de Ávila
A Catedral de Ávila é um belo templo religioso, resultado de uma mistura de estilos e influências distintas que originaram um edifício com um exterior sóbrio e fortificado, mas com um interior com uma leveza gótica e com uns toques de beleza renascentista absolutamente incríveis.
Exterior da Catedral de Ávila
A construção da Catedral de Ávila ocorreu ao longo de vários séculos. Como tal, a sua construção resume-se a uma mistura de estilos e influências único, resultando num exterior adornado com intrincados entalhes e esculturas.

Portão Norte
O Portão Norte, também chamado de Portão dos Apóstolos, data do século XIV. O tema do Juízo Final está exposto no tímpano do portal, com Jesus Cristo rodeado de anjos portadores de incensários. É possível ver também algumas cenas da Paixão aos seus pés, nomeadamente a Última Ceia e o Lava-Pés. Nos batentes é possível ver o colégio apostólico, enquanto que cinco arquivoltas coroa o conjunto.
Portão Ocidental
A entrada do Portão Ocidental é composto por um arco semicircular decorado com vários medalhões e motivos florais. Logo por cima, é possível ver uma cena a representar o Martírio de São Secundus, enquanto que nos umbrais estão dois selvagens que guardam e protegem a entrada do recinto do templo, o Gog e o Magog.

Interior da Catedral de Ávila
No interior da Catedral de Ávila encontramos nitidamente uma forte influência francesa e muitas semelhanças com a Basílica de Saint-Denis, a primeira igreja gótica.

Coro e Transepto
O Coro da Catedral de Ávila inicialmente estava localizado na capela-mor, como é normal nas catedrais medievais. Mas a tradição renascentista espanhola defende que o mesmo deve ser colocado no corpo da nave. Como tal, o Coro original foi substituído por um novo. Este começou a ser construído em 1536, tendo a obra demorado cerca de 11 anos a ficar concluída. O Coro atual é uma bela obra renascentista disposta em duas fileiras de assentos, feitos de madeira de nogueira. Nas costas da primeira fila, estão retratadas as vidas de alguns santos, na fileira de cima surgem representados magníficos grotescos de génios e figuras monstruosas. Além disso, é possível ver a representação dos Apóstolos no painel central enquanto que na cadeira episcopal está uma escultura policromada do primeiro bispo, São Fecundo.

Por outro lado, surge o transepto, localizado atrás do coro e onde se destaca uma magnífica peça renascentista, dividida em três áreas distintas de alto relevo. Num das áreas está representada a Apresentação no Templo, noutra a Adoração dos Reis e por fim, o Massacre dos Inocentes.

Altar-Mor e Transaltar
O principal destaque do Altar-Mor é o seu retábulo. Este é uma autêntica obra prima da pintura avilense, tendo sido iniciado pelo pintor Pedro Berruguete. Este pintou os quadro que representam os quatro doutores da Igreja e os Evangelistas, São Gregório, São Jerónimo, São Lucas, São João, São Mateus, São Marcos, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Deste artista são também os dois painéis do canto superior esquerdo e onde se inicia o Ciclo da Paixão de Cristo, com a Oração no Horto e a Flagelação. Mais tarde, quando Pedro morreu, Santa Cruz concluiu o quadro da Crucificação e da Anunciação, já iniciados por Pedro.

E Juan de Borgoña, deu continuidade ao seu trabalho, mas desta vez com um estilo muito próprio do século XV, contrapondo aos estilo gótico e flamengo dos quadros anteriores. A moldura de madeira dourada, que abriga os vários painéis foi iniciada pelo Mestre Roldán e concluída por Vasco de la Zarza que é autor também do tabernáculo.
O transaltar é o local atrás do altar-mor e que se localiza na parte interna do deambulatório. Todo o conjunto, constituído por 5 magníficos paineis, é obra de Lucas Giraldo e Vasco de la Zarza, em estilo renascentista. Em quatros destes painéis estão representados os apóstolos, enquanto que no quinto painel, temos uma obra de Vasco de la Zarza, considerado a joia de todo o conjunto. Este painel é inteiramente dedicado ao sepultamento do bispo Alonso Tostado y Ribeira, também conhecido como El Tostado.

Deambulatório
O deambulatório é a parte mais primitiva da catedral, mas também a com maior importância arquitetônica. Da autoria do arquiteto Fruchel, este é um duplo deambulatório separado por colunas que se articulam para as nove capelas que circundam o espaço.

Capelas
Várias são as capelas que compõem a Catedral de Ávila. De todas, vale a pena destacar a Capela de Nossa Senhora da Piedade, também conhecida por Capela Branca. Esta é presidida por uma escultura de mármore branco de Carrara, numa alusão à Pietà, tendo sido fundada pelo arquidiácono de Arévalo. Merece também destaque a Capela de San Rafael, capela dedicada a San Vidal e Santa Ana, onde se destaca o retábulo barroco, feito no século XVIII, magnificamente esculpido e com um nicho onde está a estátua de São Rafael. Sob o retábulo é possível ver os restos mortais do Bispo Plasencia.

Outra capela que se destaca é a Capela do Sagrado Coração, fundada no século XVII, anexa à catedral e onde é possível ver as esculturas de Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho. Por fim, falamos na Capela de Santa Teresa, que se destaca essencialmente pelos vestígios da pintura de mural e que está toda trabalhada em estilo gótico. Ali é possível encontrar uma figura de madeira policromada e que representa Santa Teresa, assim como os túmulos de alguns membros da família Dávila.

Vitrais
Os vitrais da Catedral de Ávila mostram a evolução que a própria catedral sofreu a nível de estilos arquitonicos, havendo diferentes estilos de vitrais ao longo do templo. Contudo, grande parte dos vitrais originais ficaram totalmente destruídos durante o terramoto de Lisboa, em 1755. E só a partir dos meados do século XX é que se iniciou um novo projeto para voltar a dar luminosidade à Catedral de Ávila. Por um lado, foram criadas novas aberturas e instalados novos vitrais. Por outro lado, foram restaurados os vitrais originais que tinham sido danificados.

Os vitrais mais importantes de toda a Catedral são os que se encontram no deambulatório, na capela-mor, no presbitério e no transepto. Estes vitrais são todos do século XV e XVI, com exceção do vitral central da capela-mor, com formas e cor góticas, e que é do século XIV.
Sacristia
O acesso para a sacristia dá-se por uma bonita entrada, em estilo hispano-flamengo, que possui um arco trilobado sob outro arco ogival. Já a porta é em madeira de nogueira, toda esculpida em estilo plateresca, por Vasco de la Zarza. A Sacristia é uma construção do século XIV, cercada por uma cômoda do século XVI, da autoria de Cornélio da Holanda. Por cima desta, está um retábulo do século XVI, que tem uns bonitos painéis que representam a prisão e libertação de São Pedro, com o Santo Apóstolo em traje pontifício por cima.

A Sacristia principal, que em tempos serviu como Sala do Capítulo, é também conhecida como Capela de São Barnabé. Esta destaca-se quer pela sua abóboda octogonal, quer pelo seu magnífico retábulo de alabastro, obra de Villoldo e que representa a Flagelação e Cristo Ecce Homo, além de vários relevos tanto de São Barnabé e Santo André como São Paulo.

Claustro
O claustro da Catedral de Ávila, em estilo gótico, foi iniciado no século XIV e concluído no século seguinte. Possui um bonito brasão renascentista, da autoria dos mestres Mateo, Pedro de Viñegra e Vasco de la Zarza. Os seus corredores possuem tetos abobadados com nervuras e abrem-se para o pátio através de bonitas janelas de estilo gótico. No claustro é possível encontrar três capelas. São elas a Capela das Cavernas, a Capela da Virgem e por fim a Capela do Crucifixo.
Museu
O Museu da Catedral de Ávila possui um vasto espólio de arte sacra, que se encontra exposto na Capela do Cardeal Quiroga e nas salas anexas, que em tempos foram utilizadas como Sala Capitular, arquivo e biblioteca.
Capela do Cardeal Quiroga
A Capela do Cardeal é a sala principal do Museu da Catedral de Ávila. Esta foi mandada construir no século XV, pelo arcebispo Quiroga e foi nomeada Capela do Cardeal. A Capela do Cardeal é uma sala em estilo gótico, que possui dois belos vitrais, que representam o Nascimento de Cristo e a Adoração dos Magos. No altar da capela está uma grande tela de Bartolomé Román e que representa São Francisco de Assis. No centro da sala, é possível ver a Custódia Processional, toda em prata, obra de Juan de Arfe, do século XVI. É ainda possível ver cerca de 6 crucifixos de Marfim e várias esculturas de madeira. Além disso, o local serve também como capela funerária do Cardeal Francisco Dávila Mújica.

Sala do Capítulo
A Sala do Capítulo é dominada pela estátua da Imaculada Conceição, que se encontra rodeada de várias outras peças escultóricas. Nomeadamente, o busto relicário de Santa Emerenciana e Santa Eufémia. Ao redor da sala estão expostas várias pinturas e bem no centro da sala é possível ver uma vitrine com várias casulas pontifícias magníficas, capas pluviais e ainda dalmáticas mouriscas.
Sala da Paixão
A Sala da Paixão possui no seu espólio várias peças relacionadas com a paixão de cristo. Nomeadamente, o Calvário, composto por três esculturas, Cristo Crucificado, São João e a Virgem, todas da autoria do escultor renascentista Pedro de Salamanca. Além disso, várias são as pinturas espalhadas pela sala, nomeadamente um magnífico painel gótico do século XV.
Sala do Songbook
Neste espaço estão expostos seis cancioneiros iluminados, do século XV, da autoria de Juan de Carrión. A sala reúne ainda várias pinturas em óleo e ainda o projeto do carro triunfal, para a custódia de Corpus Christi, um projeto do século XVIII e da autoria de António Escribano Hernández.
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2 thoughts on “Descobrir a Catedral de Ávila”