Há lugares que visitamos uma vez e que, mesmo muitos anos depois, continuam presentes na nossa memória. A Quinta da Covela é, para mim, um desses lugares. Foi há cerca de 10 anos que tive a oportunidade de conhecer esta quinta, a convite dos seus proprietários. Na altura, fui com o meu marido, a nossa filha, que ainda era bebé, e alguns amigos. O meu marido tinha uma ligação profissional aos vinhos da Covela, que fazem parte da carta do seu restaurante, e acabámos por viver uma experiência muito diferente de uma simples visita a uma quinta.
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Ficámos alojados dentro da própria propriedade, numa casa que os proprietários utilizavam para receber os seus convidados. Fizemos refeições por lá e chegámos mesmo a comer em casa dos próprios proprietários, que também viviam na quinta.

Foram dias tranquilos, passados entre a paisagem, os vinhos e a descoberta daquele lugar tão especial. Na altura visitámos também outras quintas da empresa que se encontravam na região, numa viagem da qual já não guardo todos os detalhes. Passaram muitos anos e não quero correr o risco de misturar experiências que hoje já se confundem na memória. Mas há uma coisa de que me lembro perfeitamente: a Quinta da Covela foi um dos locais mais bonitos que visitei.
É essa memória que quero partilhar convosco neste artigo, juntamente com informação atual para quem, hoje, quer conhecer a Quinta da Covela e descobrir este cantinho de Baião, junto ao Douro.
Conteúdo do artigo
A história da Quinta da Covela
A história da Quinta da Covela começa muito antes dos vinhos que hoje conhecemos. A propriedade remonta ao século XVI e conserva ainda alguns vestígios desse passado, entre eles as ruínas do antigo solar e da capela, testemunhos de uma presença agrícola e vitivinícola com vários séculos.

Situada nas encostas sobre o rio Douro, em São Tomé de Covelas, no concelho de Baião, a quinta encontra-se numa localização muito particular: no extremo sudeste da Região dos Vinhos Verdes, numa zona habitualmente conhecida como Douro Verde. A paisagem e a localização da propriedade ajudam também a explicar a identidade dos seus vinhos.
A ligação a Manoel de Oliveira
Uma das páginas mais conhecidas da história da Quinta da Covela está ligada a Manoel de Oliveira. O cineasta português foi proprietário da quinta, que pertenceu à sua família, e teve um papel importante na configuração que a propriedade viria a adquirir. Durante esse período, a quinta foi ampliada com a aquisição da vizinha Quinta dos Casainhos e foram realizadas várias intervenções na propriedade, incluindo a recuperação e construção de estruturas agrícolas, sistemas de rega, muros e outros elementos que ainda fazem parte da paisagem da Covela. A casa principal e a adega também foram posteriormente ampliadas durante a sua época.

A ligação de Manoel de Oliveira à Covela acrescenta, por isso, uma dimensão particularmente curiosa à história da quinta. Estamos perante uma propriedade cuja história agrícola e vitivinícola se cruza com a história de uma das figuras maiores do cinema português.
Um novo capítulo para a Covela
Já no final do século XX, a Quinta da Covela entrou numa nova fase. A propriedade foi adquirida pelo empresário portuense Nuno Araújo, que investiu na recuperação da quinta, das vinhas e das estruturas existentes e desenvolveu a marca de vinhos Covela. Mais tarde, depois de um período de abandono, surgiu um novo capítulo na história da propriedade.

Em 2011, o empresário brasileiro Marcelo Lima e o jornalista e antigo correspondente Tony Smith adquiriram a Quinta da Covela e decidiram recuperar o projeto vitivinícola. A antiga equipa de trabalho, incluindo o enólogo Rui Cunha, voltou a integrar o projeto, numa continuidade que os novos proprietários consideraram importante para preservar a identidade da quinta.

Foi a partir desta nova fase que a Covela começou também a afirmar ainda mais a sua identidade em torno da casta Avesso e de uma produção em modo biológico certificado. Hoje, a quinta continua integrada na região dos Vinhos Verdes e apresenta-se como um projeto onde o passado da propriedade se cruza com uma visão contemporânea da viticultura.
A Quinta da Covela
Entre as encostas de Baião e o rio Douro encontra-se a Quinta da Covela, numa localização muito particular do chamado Douro Verde. Situada em São Tomé de Covelas, no concelho de Baião, a quinta encontra-se numa zona de transição entre a Região dos Vinhos Verdes e o vale do Douro. É uma paisagem marcada pelas encostas, pelo rio e pelo verde intenso que caracteriza esta parte do norte de Portugal.

A propriedade tem cerca de 49 hectares, dos quais uma parte é ocupada pelas vinhas, e está particularmente associada à produção de vinhos da casta Avesso, uma das variedades mais características da sub-região de Baião. A viticultura da Covela é feita em modo biológico certificado, numa procura de uma relação cada vez mais equilibrada entre a vinha, o solo e o ambiente.

Mas a Quinta da Covela não se resume aos seus vinhos. A propriedade reúne história, arquitetura, natureza e uma localização privilegiada sobre o Douro. É essa combinação que faz com que uma visita à Covela seja muito mais do que uma simples prova de vinhos.
Os vinhos da Quinta da Covela
Os vinhos são, naturalmente, uma parte importante da identidade da Quinta da Covela. A sua localização, entre o Douro e a região dos Vinhos Verdes, dá origem a vinhos com características muito próprias, onde se destaca a utilização de castas tradicionais da região, como o Avesso.

A produção da quinta inclui vinhos brancos, tintos e rosés, procurando valorizar a ligação entre as vinhas, o território e as características muito particulares desta zona de Baião.
No nosso caso, a ligação aos vinhos da Covela já existia antes da visita à quinta, uma vez que fazem parte da carta do restaurante do meu marido. Foi também essa ligação que acabou por nos proporcionar a oportunidade de conhecer a propriedade de uma forma tão próxima.
Hoje, os vinhos continuam a ser uma das formas de descobrir a identidade da Quinta da Covela e podem ser conhecidos através das experiências de enoturismo disponíveis na própria quinta. Para quem gosta de vinho, esta é uma boa oportunidade para juntar a descoberta de Baião a uma experiência ligada à produção vitivinícola.
A nossa experiência na Quinta da Covela
Foi há cerca de 10 anos que conhecemos a Quinta da Covela, numa experiência que ainda hoje recordo com muito carinho. Na altura, fomos convidados pelos proprietários e fomos com alguns amigos. A nossa filha ainda era bebé, por isso esta viagem ficou também associada a uma fase muito especial da nossa vida em família.
O meu marido já tinha uma ligação aos vinhos da Covela, que fazem parte da carta do seu restaurante, e acabámos por conhecer a quinta de uma forma muito diferente de uma visita convencional. Não fomos apenas passar algumas horas à propriedade. Ficámos lá e tivemos a oportunidade de viver aquele espaço durante um fim de semana.
O alojamento ficava dentro da própria propriedade, numa casa que os proprietários tinham para receber os seus convidados. Para nós, isso tornou a experiência muito próxima. Tínhamos tempo para estar na quinta, desfrutar do ambiente e conhecer o espaço sem a pressa habitual de quem está apenas de passagem.
Uma das memórias que guardo com mais carinho foi a refeição que fizemos em casa dos proprietários, que também viviam na quinta. Mais do que uma simples refeição, foi um momento de partilha e de hospitalidade que tornou a nossa estadia ainda mais especial.
Durante esse fim de semana visitámos também outras quintas da empresa que se encontravam na região. Já passaram muitos anos e não me recordo de todos os detalhes dessa viagem. Como visitámos várias propriedades, prefiro não tentar reconstruir agora um percurso que poderia facilmente misturar diferentes experiências.
O que recordo, isso sim, é a sensação de termos vivido aquele lugar de uma forma muito tranquila e próxima, acompanhados pela nossa filha ainda bebé e por amigos. Foi uma daquelas viagens que não ficaram na memória por termos feito muitas coisas, mas precisamente pelo tempo que tivemos para estar, conhecer e desfrutar.
O que visitar perto da Quinta da Covela
A Quinta da Covela pode ser o ponto de partida para descobrir um pouco melhor Baião e o Douro Verde. Se tiverem mais algum tempo na região, há vários lugares que podem ser facilmente combinados com a visita à quinta.
Mosteiro de Santo André de Ancede
O Mosteiro de Santo André de Ancede é um dos locais que vale a pena incluir num roteiro por Baião. O antigo mosteiro tem origem medieval e o conjunto foi sendo transformado ao longo dos séculos. Atualmente funciona como centro cultural, com espaços expositivos e visitas ao património. É uma visita particularmente interessante para quem gosta de história e património e pode ser combinada com a descoberta da região do Douro.
Casa de Tormes – Fundação Eça de Queiroz
Para quem gosta de literatura portuguesa, a Casa de Tormes – Fundação Eça de Queiroz é outra paragem a considerar. Associada à vida e obra de Eça de Queiroz, a casa está ligada ao universo de A Cidade e as Serras e permite conhecer melhor a relação do escritor com esta região.
Serra da Aboboreira
Se preferirem natureza, podem seguir até à Serra da Aboboreira. A serra é conhecida pelas suas paisagens e pelo importante património megalítico, com destaque para a Anta da Aboboreira.
É uma boa escolha para quem quiser aproveitar a passagem por Baião para fazer um passeio ao ar livre e conhecer uma paisagem diferente daquela que encontramos junto ao Douro.
Rio Douro e Ribadouro
E, claro, estando tão perto do Douro, vale a pena reservar algum tempo para simplesmente chegar junto ao rio. A zona de Ribadouro permite apreciar a relação muito próxima entre o rio e as encostas da região. Para quem viaja de carro, é interessante ir fazendo algumas paragens ao longo do percurso, sem necessidade de transformar tudo num roteiro demasiado rígido.
Uma escapadinha por Baião
Se tiverem um fim de semana, podem facilmente combinar a Quinta da Covela com alguns destes lugares, alternando vinho, património e natureza. Baião permite precisamente isso: conhecer uma região onde o Douro, a montanha, a história e a cultura se encontram num território que merece ser descoberto com tempo.
Há lugares que visitamos uma vez e que continuam connosco durante muitos anos. A Quinta da Covela é, para mim, um desses lugares. Já passaram cerca de 10 anos desde a nossa visita e, naturalmente, alguns detalhes foram ficando menos nítidos. É também por isso que quis voltar a escrever sobre esta experiência: para guardar aquilo de que ainda me lembro e, ao mesmo tempo, atualizar a informação para quem quiser conhecer a quinta hoje.
Quando olho para trás, percebo que não foi apenas a quinta que ficou na minha memória. Foi também a fase da nossa vida em que a conhecemos, a nossa filha ainda bebé, os amigos que nos acompanharam e aqueles dias vividos de uma forma tão diferente do habitual. Talvez seja isso que torna algumas viagens tão especiais: passam os anos, mudam as circunstâncias, mas há lugares que continuam a fazer parte da nossa história.
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